Causos da Terra

"Causos" da terra

A biquinha da Preta Vicência

Vivia na senzala da fazenda de Santa Thereza a colona Vicência, uma das mais antigas do lugar e por isso mesmo respeitada por todos. Dizia que somente ela era quem mandava numa nascente que afirmava haver descoberto em terras de Santa Thereza, à beira da antiga estrada Mundo Novo, atual Rua Leoni Ramos.

A preta Vicência orgulhava-se daquele achado e não permitia que alguém se servisse da biquinha sem o seu consentimento. Aos tropeiros mineiros que ali pousavam nunca negava o precioso líquido e lhes trazia até mesmo a cuia para apanhar água, mas sempre sendo necessário o seu consentimento. Ai daquele que tomasse água sem sua autorização.

Alguns dizem que seu nome era Vicenza e não Vicência.

Com o tempo a "biquinha" desapareceu, mas por muitos anos persistiu a lenda de que aquele que tomasse daquela água sempre voltaria à cidade.

A ARTUR - Associação Rioflorense de Turismo tem pugnado pelo restabelecimento desse marco simbólico da história do município.

A energia do Visconde Por volta de 1843, no início de suas atividades de cafeicultor, ocorreu um episódio que serve para demonstrar a fibra e o caráter de Domingos Custódio Guimarães, o futuro Visconde do Rio Preto. Um dia, ainda cedo, antes do almoço, foi ouvida uma algazarra no pátio. Eram os escravos que retornavam da roça, empurrando o feitor à sua frente, numa atitude de insuportável rebeldia e arrogância, acusando-o de não saber mandar e de desconhecer o serviço. Nada justificava a indisciplina. Homens brancos, na fazenda, eram apenas cinco, defrontando-se com os 200 escravos insatisfeitos. A situação apresentava-se de extrema gravidade, mas Domingos Custódio não era homem que se acovardasse, mesmo porque, necessário se fazia uma demonstração de autoridade, ou tudo estaria perdido. Identificados os líderes, sofreram eles as punições exemplares que o caso exigia, em nome do respeito e da segurança de todos. Depois desse fato, nunca mais se ouviu falar em indisciplina ou em desordens, nas fazendas de Domingos Custódio. Pesquisa: "Visconde do Rio Preto - sua vida, sua obra ", Rogério da Silva TJader

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A mucama Isidorinha Isidorinha não era negra mas cabrocha de olhos amendoados, cabelos lisos, alegre, buliçosa. Era mucama na Fazenda da Conceição e afamada na região por seus dotes físicos aos 20 anos de idade. Seu Senhor, com um sorriso matreiro, sempre recusava as altas ofertas que recebia para vendê-la. Embora solteira, era mãe de dois mulatinhos claros, cuja paternidade nunca chegou a ser apurada, atribuindo uns a algum dos filhos da casa, enquanto que outros faziam discretas alusões ao Senhor. Anualmente eram promovidos casamentos no dia de N.Sra.da Conceição, 8 de dezembro, com os casais formando a fila dos noivos; homens de um lado, mulheres do outro. Num determinado 8 de dezembro, achando-se o Senhor ausente em viagem de negócios, Isidorinha viu-se surpreendida com a decisão bombástica de sua Senhora: - "Já está na hora de você se casar. Vai trocar de vestido e entra na fila das noivas, na capela". Inúteis foram as ponderações e súplicas. Vencida, chorosa, entrou na fila das noivas, horrorizando-se ao identificar, na fila ao lado, o pretendente determinado. "Procópio não era só desprezível pelo seu fisico repelente", diz Eloy de Andrade, "exercia a função mais execrada numa fazenda: era o cozinheiro e tratador dos porcos, sempre sujo e cheirando como os animais". E complementa: "madurão de idade, era baixo, cambaio, rosto largo, nariz achatado, grandes ventas encimadas por dois olhos vermelhos, esbugalhados", concluindo o escritor: - "Era um monstro". Histórias como esta se encontram intimamente ligadas a ciúme e vingança por parte das Senhoras, mas no caso citado, nada mudou na vida da Mucama. Com o retorno do Senhor, tudo voltou a ficar como dantes ... Pesquisa: Visconde do Rio Preto - sua vida, sua obra. Autor: Rogério da Silva Tjader

Água na Cruz

 A Fazenda Cachoeira Alegre tem uma velha cruz feita pelos escravos sobre uma bela colina, bem em frente à sede da fazenda. Rita Teresa, a proprietária, havia passado por problemas de saúde quando ficou sem poder andar. Depois de muita luta, os movimentos foram sendo recuperados.

No dia de São José, 19 de março, resolveu fazer uma oração ao pé da cruz em agradecimento. Pediu a companhia de um peão, montou num cavalo e levou um pouco de água que lá despejou.

No dia seguinte, o marido lhe disse animado: "mulher, pega uma lata de 50 litros e derrama tudo na cruz que a chuva foi uma beleza. Este ano a colheita vai ser boa".

Conta-se que os escravos colocavam pedras ou água ao pé da cruz todos os anos nesse dia, para atrair bom tempo para as plantações.

Esse fato aconteceu no ano de 2000 e desde então, na Fazenda Cachoeira Alegre, no dia de São José, leva-se água para a cruz dos escravos. E tem sido boa a colheita.

Carlos Lacerda

A fazenda da Forquilha, no distrito do Abarracamento, teve a sede construída no princípio do século XIX, em estilo chalé francês, e pertenceu ao Coronel Silvio dos Santos Paiva. Seu filho Júlio herdou a fazenda e desfrutava de seus 14 quartos,  pois  tinha 15 filhos.

Era casado com Silvina, uma das irmãs de Sebastião de Lacerda. O ex-govemador Carlos Lacerda, sobrinho de Júlio e Silvina, passava as férias na Forquilha.

Lá, utilizando-se da bela escada, apresentava shows e peças teatrais a partir de textos de sua autoria, onde dirigia toda a montagem, tendo como atores, dançarinos e cantores, seus primos e irmãos, aos quais atribuía nomes russos. A platéia também era composta de parentes, muito numerosos, e empregados da fazenda - mais de 150 famílias moravam na Forquilha.

Carlos também criou um jornal, "O Forquilhense", que era de circulação interna na fazenda, todo escrito à mão em folhas de caderno.

Sobre a fazenda, Carlos Lacerda escreveu: "Lá conheci a liberdade e o amor. Os muitos filhos e netos de tio Júlio e tia Silvina romperam, com sua animada convivência, a solidão da minha infância".

Carlos Lacerda atuou como auxiliar da defesa em um júri no fórum de Rio das Flores, absolvendo o acusado de assassinato. Essa foi sua única atuação como advogado, quando cursava o segundo ano do Curso de Direito, o qual não concluiu.

Cartas de Padrinho O trabalho escravo nas fazendas de café gerou vários costumes curiosos, entre eles as cartas de padrinho. Para livrar-se ou atenuar os castigos por pequenas ou graves faltas, os escravos buscavam o apadrinhamento para levar seus senhores a perdoá-los. Bons padrinhos eram membros da família, o padre, o médico, a mucama de estimação, etc. Os escravos procuravam aproximar-se dessas pessoas sempre que alguma oportunidade surgisse, a fim de a elas recorrer no momento oportuno. Os motivos de castigo eram os mais variados: não cumprimento da tarefa de colheita ou capina, um feixe de feijão colhido e esquecido na plantação, não ter retirado a erva-de-passarinho, agressão a parceiro que andava seduzindo sua mulher, etc. Os apadrinhamentos davam bom resultado, a menos que o castigo fosse aplicado antes de lida a carta. Muitos senhores, que eram sensíveis ao sofrimento do escravo, recebiam com satisfação esses pedidos de clemência que lhes evitava o aborrecimento da aplicação do castigo, sem prejuízo da disciplina. Pesquisa: "O Vale do Paraíba ", Eloy de Andrade.

Escrava Teresa

Muitas são as histórias que ficaram da época áurea do café. Histórias dos escravos e dos senhores. Histórias dos tropeiros, muladeiros, mascates e médicos de partido. Histórias de feitores e capitães-do-mato.

Uma história daquele tempo dada como verídica e que até os dias de hoje se mantém não só pela tradição oral, mas também por oferecer uma prova(?) concreta aos olhos de quem quiser conferir a energia que permanece latente à beira da estrada do Abarracamento.

Conta-se que as fazendas daquela região eram visitadas pela escrava Teresa, uma negra de poderes especiais para cuidar dos enfermos e gestantes, levando alento e cura aos negros em todas as suas vissicitudes.

Teresa contraiu a lepra e foi expulsa das fazendas, passando a viver na estrada, alimentando-se em potes que eram deixados para fora das porteiras por aqueles que ainda se lembravam de seus favores.

Acabou morrendo à beira do caminho e ninguém atreveu-se a tocar-lhe o corpo, que foi coberto por um monte de terra.

Mais de cem anos se passaram e esse monte de terra nunca se desfez. Alguns anos atrás, algumas pessoas da comunidade do Abarracamento resolveram construir uma rústica cobertura ao monte, protegendo-o das intempéries.

O local onde Teresa tombou morta permanece lá, com o monte de terra original e hoje recebe visitas de pessoas que ali vão pedir graças.

As experiências da fé devem ser vivenciadas por cada um conforme sua crença e necessidade.

Leilão de Prendas

O leilão de prendas nas festas é uma tradição muito antiga. A motivação nvunca foi a de fazer compras e nem sempre as prendas mais valiosas atingiam os maiores preços. O prazer era desgastar, provocar e vencer o competidor. O pensamento dominante era pagar caro, por preço sempre superior ao valor do objeto.

Eloy de Andrade narra um episódio acontecido em São José em seu antológico "O Vale do Paraíba":

"Foi anunciada a venda de um ramalhete de rosas, oferecido pela filha de um dos fazendeiros da freguezia, moça solteira, formosa e rica. Era motivo para ter muito valor a prenda. Um médico, recém chegado ao lugar, solteiro, deu o primeiro lance:

- Cinco mil réis pelo ramo, gritou o leiloeiro.

E, com malícia, para levantar a disputa: cinco mil réis, mas (olhando para o licitante) para ser oferecido a quem? O médico, ingênuo, caiu na cilada.

- Para ser oferecido à própria ofertante.

Logo o irmão desta, risonho, virando-se para ela:

- Seis mil réis para não ser para você, mas para dona Aparecida.

Era costume desse rapaz disputar as prendas, mostrando vivo interesse em arrematá-las para em certa altura, quando já iam bem altos os lances, deixar a "bomba" estourar nas mãos do adversário.

O médico, em vez de prosseguir moderadamente, cobrindo apenas o lance, cometeu a imprudência de levantá-la para vinte mil réis. O irmão da moça, melindrado, lançou cinqüenta mil réis. O leiloeiro, vendo queimados os contendores, vibrou e, dirigindo-se ao médico:

- Cinqüenta mil réis e o ramo não será de dona Indiana - assim se chamava a moça . - e sim de dona Aparecida. 50$ ... 50$ ... Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou ... dou ... –Cem mil réis, diz o médico.

- Cento e cinqüenta.

-Duzentos.

Atingida a quantia de trezentos mil réis, intervieram os amigos e o médico, a pedido, desistiu, pois de nenhum modo seu adversário se deixaria vencer."

A banda de música começou a tocar para acalmar os ânimos e a festa continuou.

Ainda hoje são vistas disputas e provocações como naquele tempo. A tradição permanece intacta.  Os próximos leilões acontecerão na semana da festa da Padroeira, Santa Tereza D´Ávila, que se comemora no dia 15 de outubro.

O Durão Henrique Dumont, pai de Santos Dumont, após o falecimento do sogro juntou suas economias com parte da herança da esposa e apostou tudo na compra da Fazenda Arindeúva, em Ribeirão Preto. Lá iria aplicar a experiência na lavoura do café, adquirida na Fazenda do Casal, em terras que hoje fazem parte do município de Rio das Flores, que administrava para o sogro. Em Ribeirão Preto chegou a ser conhecido como o "Rei do Café" e possuía uma ferrovia particular para levar seu produto até à cidade. Habituara-se a tratar com escravos, crianças tão fáceis de levar por um bom senhor. Deixara crescer a barba à moda patriarcal dos coronéis da roça e montava a cavalo com seu chapéu largo e botas altas. Os negros o estimavam e tinham a certeza de que suas zangas não valiam nada. Mas de vez em quando era preciso impor a disciplina, senão aquilo virava plantação de mucambo. - Você, seu João Congo, vive bebendo e não trabalha. A primeira vez que te vir com um martelo de parati nas unhas, te mando fazer visita ao tronco do Galdino. Arre! No dia que eu me queimar de verdade, cachorro afoga em sangue de negro aqui neste terreiro! Vocês vão ver! Esse dia não chegava nunca, e eles o sabiam. Pesquisa: Santos Dumont Autor: Gondin da Fonseca

O holandês e a pulga

Esta é recente.

Aconteceu na Fazenda da Divisa. Manoel Valle recebeu um grupo de 40 turistas holandeses para visitar a fazenda.

Ele havia separado uma vaquinha, das mais fracas, feinha mesmo, para oferecer às crianças para tirar leite, pois tinha uma tirada muito macia. Era só apertar um pouquinho que o leite espirrava. Ofereceu a experiência a uma das crianças, que aceitou, e foi o maior furor entre os presentes. Como conseqüência, todos os holandeses tiraram uma esguichada da vaquinha, com foto e tudo. Que grande mico nós pagamos na Holanda com a foto daquele indigente animal a nos representar no exterior.

Mas a visita não ficou por aí. Em meio a outras atividades, em dado momento, uma cachorra muito mansa que estava com uma ninhada de 14 filhotes, trouxe um deles na boca e entregou a uma criança. Foi um delírio!

Quando viu a cena, Manoel correu para dizer que não ficassem com o cachorrinho na mão, pois estava cheio de pulgas. Logo um holandês retrucou. - Não tem problema não! E foi mais um grande sucesso. Os holandeses nunca tinham visto uma pulga!

O Mascate Quando hoje visitamos uma fazenda do Ciclo do Café não percebemos que as peças que admiramos, jarras, estatuetas, porcelanas, pratarias, aparelhos de chá, bandejas, tecidos, rendas, jóias, etc., aqui chegaram pelas mãos dos mascates. Os mascates eram viajantes que vendiam o útil e o supérfluo. Havia os honestos e também os gananciosos que, em busca de lucros extras, envolviam os fregueses e exploravam sua boa fé e, principalmente, a vaidade feminina. Certa vez, foi oferecido um lindo broche a uma baronesa. Ela perguntou o preço e ao saber que era de seiscentos mil réis recusou. O mascate não se deu por vencido. Se ela perguntara o preço é porque estava interessada. Então ele disse que havia vendido um inferior àquele pelo mesmo preço à esposa do Comendador. Que nada estava lucrando, apenas queria serví-la e desejava que ela tivesse um mais vistoso do que o daquela senhora. A venda foi imediata. Ao Barão de Três Ilhas, conhecido perdulário, foi oferecida uma pequena bolsa para rapé, de ouro. Ele recusou alegando que já possuía quatro, sendo três de tartaruga com frisos em ouro, e uma toda de ouro com seu monograma. O mascate alegou que ele não tinha uma como aquela, com a coroa de barão gravada ao lado. O negócio foi fechado. Pouco antes da lei áurea, o Barão de Três ilhas faliu e teve que vender sua fazenda para pagar as dívidas. Entre seus credores figuravam os seguintes nomes: Moysés, Salomão, Levy, Isaac, todos mascates da época. Pesquisa: “O Vale do Paraíba” , Eloy de Andrade
Os Castigos Os senhores de escravos só não tinham o direito de matá-los violentamente por tiro ou enforcamento. Podiam castigá-los até a morte e o faziam por açoites ou no tronco onde os deixavam nus, no invemo, sem água ou alimento. Somente nos últimos anos anteriores à Lei Áurea os castigos se abrandaram pelo surto das idéias abolicionistas, pela crítica aos que eram desumanos e pelas acusações que chegavam a ter eco no Parlamento. Os instrumentos de castigo eram vários: a palmatória. com quatro ou cinco furos; o chicote de uma só tira de couro ou de três ou quatro, cuidadosamente trançadas; os troncos de pés e mãos, ou só de pés; as algemas; os argolões de ferro para o pescoço, simples ou com haste e campainhas; os cinturões de ferro ligados a uma argola sobre os tornozelos. Alguns escravos chegavam ao suicídio para livrar-se dos castigos. Os motivos, às vezes, os mais fúteis. como não levantar-se imediatamente à chegada do feitor. A justificativa era sempre o resguardo da disciplina. Pesquisa: “O Val do Paraíba”, de Eloy de Andrade
Os Encostados Na época áurea do café era comum a existência de "encostados" nas fazendas. Eram parentes próximos ou afastados, compadres, vizinhos empobrecidos que haviam perdido suas terras, colonos velhos ou inválidos, que viviam nas fazendas como hóspedes. Nelas se deixavam ficar, meses e anos, em intimidade com seus proprietários, chegando a parecer, muitos deles, aos olhos de vizinhos e estranhos, espécie de membros da família Eloy de Andrade nos traz a seguinte narrativa: "Tempos felizes! Um desconhecido abre a porteira da fazenda e vai sentar-se em um dos degraus da escada. À hora do almoço, pelo primeiro moleque que passa, manda pedir um prato de comida. Quando lhe aparece o dono da fazenda, pede-lhe um encosto; está velho, já não pode trabalhar. - Mas, quem é você? - Eu sou irmão do seu compadre Anastácio, que Deus o tenha no céu. Vosmecê não se alembra de mim, mas eu já abri muita porteira quando vosmecê ia a Santa Quitéria e passava pela nossa casa. - Bem, lembro-me agora. Você fale com o feitor para arranjar um cômodo e quando tocar o sino, vá comer na cozinha. Estava arranjado o encosto. Dali, só para o cemitério da freguezia. Pois se era irmão de um compadre..." Pesquisa: O Vale do Paraíba - Eloy de Andrade
Pretos Amigos Manuel José Dias, português, teve padaria bem montada e passava por ser homem abastado. Veio a Abolição, perdeu os dois escravos que tinha, mas um deles continuou a serví-lo. Seu senhor ficou pobre e foi viver como encostado em casa de um "amigo”. Dispensou o escravo e teria até exigido que ele se retirasse e fosse arranjar emprego. Passaram-se os anos. Manuel José Dias perdeu seu protetor e foi obrigado a recolher-se ao Asilo de São Luiz, onde, logo no dia seguinte, foi surpreendido vendo ajoelhar-se a seus pés um preto velho. Era o Anselmo, seu ex-escravo que ali era asilado havia anos. Choraram ambos. O preto beijou a mão do seu velho senhor e desde então ficou sendo a sua sombra. Onde ele estava o Anselmo estava também, vigiando-o, ajudando-o a vestir-se, a tomar os alimentos, porque a tremura da mão não lhe permitia levá-los à boca. Tratava-o com carinho de um pai estremoso e sobreviveu-lhe apenas um mês. Pesquisa: "O Vale do Paraíba", E/oy de Andrade
Soscristo Na Segunda metade do Século XIX a Fazenda Cachoeira foi fundada por Matheus Gomes do Vale e é de lá que se conta o seguinte: - Defronte à casa havia um relógio de sol com uma pequena peça de artilharia, de bronze, no alto de uma coluna de madeira facetada. Era munido de uma lente que queimava a pólvora para o tiro de meio-dia. - Os escravos cumprimentavam os senhores dizendo: Soscristo, em que fundiam numa só palavra a saudação ''Louvado seja N. S. Jesus Cristo." - Logo após a Abolição, Matheus mandou preparar um banquete para seus ex-escravos, ao qual presidiu seu filho José Gomes do VaI, administrador da fazenda. Não quiseram os pretos beber o vinho sem a presença do ex-senhor, que esperaram de copo em punho. Comparecendo Matheus, foi por todos recebido com alegria e um deles, José Pedreiro, disse ao ex-senhor, antes de beberem: "Nós não éramos escravos, somos d'agora em diante". Pesquisa: Cachoeira e Porangaba
Rio das Flores - RJ GPS 22°10'06.5"S 43°35'01.5"W

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