Vultos Históricos

Barão da Aliança

Primeiro presidente da Câmara Municipal

Manoel Vieira Machado da Cunha, o Barão da Aliança,  nasceu em 1847 na fazenda da Saudade, então Freguesia de Santa Thereza de Valença, atual Rio das Flores, propriedade de seus pais, João Vieira Machado da Cunha e Maria Isabel de Jesus Vieira.

Manoel era membro de um dos mais importantes clãs do Vale do Paraíba – os Werneck, sobrinho do Visconde de Ipiabas e do Barão do Rio das Flores.

 Projetou-se na sociedade como importante líder local, além de grande produtor de café.

A origem de sua fortuna está na sociedade formada com sua mãe e seus irmãos na fazenda da Saudade, através da firma “Maria Isabel de Jesus Vieira & Filhos”. Após a dissolução da sociedade adquiriu as fazendas Santa Maria e Saudade (que não deve ser confundida com a primeira), ambas na localidade do Abarracamento, hoje com suas sedes desaparecidas.

Começou sua vida pública na Freguesia de Santa Thereza de Valença, onde participava ativamente através da venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento da Matriz de Santa Thereza e no Batalhão da Guarda Nacional, onde alcançou a patente de Alferes.

Em 29 de agosto de 1882 foi agraciado com o título de Barão da Aliança. Nesta mesma época faleceu seu sogro e tio Visconde de Ipiabas, quando herdou a fazenda Campos Elíseos, a segunda mais importante propriedade dos Ipiabas.

No final do século XIX, já consagrado como importante líder político local, participou ativamente em prol da emancipação política e administrativa da então Freguesia de Santa Thereza de Valença, conquistada em 17 de março de 1890.

Foi eleito primeiro presidente da Câmara Municipal, quando este cargo ainda era unido ao do poder executivo, cuja primeira reunião ocorreu no antigo casarão que pertenceu ao Visconde do Rio Preto (onde funcionava o Banco do Brasil antes de mudar-se para a nova sede), no dia 27 de março de 1890. Neste mesmo dia foi apresentada uma representação dos moradores da Vila para que a rua em frente ao referido casarão, (antiga São Domingos) passasse a chamar-se, a partir daquela data, “Rua Barão da Aliança”, em atenção aos serviços prestados ao povo de Santa Thereza. Esta denominação perdurou até a década de 1930 quando mudou para Rua Dr. Getulio Vargas, por imposição da ditadura Vargas. Emais recentemente para Rua Dr. Elias Kalil Ristum um lider político atual.

Adquiriu em 1892 a grandiosa fazenda Flores do Paraíso do seu genro Tenente Coronel Domingos Custodio Guimarães, neto do Visconde do Rio Preto, onde em 1905 recebeu em elegante acolhida o então Presidente do Estado do Rio de Janeiro, Nilo Peçanha, (futuro Presidente da Republica).

Entre 1904 a 1907, Aliança ocupou novamente o cargo de presidente da Câmara Municipal da Vila de Santa Thereza.

Em 1912, vendeu sua fazenda Flores do Paraizo à família Belfort Arantes, quando se retirou definitivamente do Município.

Casou com sua prima Maria Peregrina Pinheiro Werneck, filha do Visconde de Ipiabas, com quem teve uma única filha de nome Maria Augusta. Faleceu no dia 17 de março de 1934 no Rio de Janeiro, onde foi sepultado.

Dr. Braz Carneiro

Fundador do Município de Rio das Flores

Dr. Braz Carneiro Nogueira da Gama, nasceu no Rio de Janeiro no dia 24 de março de 1846, filho dos Condes de Baependy e neto do Marquês de mesmo título. Engenheiro, era Moço Fidalgo da Casa Imperial pelo decreto de 25/06/1857.

      Fundou por volta de 1870, em terras de seu pai a fazenda Santa Luiza, cujo nome foi uma homenagem a sua esposa D. Luiza Henriqueta Viana, sobrinha do Duque de Caxias.

      Com poucas inclinações para os negócios da lavoura, foi eleito Deputado Geral em 1882 e Provincial por duas ocasiões no Império; em ambas, as suas posições republicanas eram conhecidas.

       No biênio 1888/1889, fez parte da Bancada Republicana de cinco deputados, liderada por Francisco Portela. Com a República, foi eleito presidente da Assembléia do Estado (1889/1890) e, logo adiante, 2º Vice-Presidente do Estado. Foi neste período que apresentou à Assembléia o projeto de criação do município de Santa Thereza, aprovado e sancionado pelo então Presidente do Estado do Rio de Janeiro, Francisco Portela, através decreto nº 62 de 17 de março de 1890.

       Foi eleito Senador e Constituinte. Por ter sido o menos votado dos três senadores eleitos, seu mandato foi de três anos. Nas preparatórias, foi eleito Vice-Presidente do Senado, tendo presidido a primeira Sessão do Congresso Nacional. Na eleição de Prudente de Moraes para Vice-Presidente do Senado e a Constituinte, foi Braz Carneiro o segundo mais votado. Com o fechamento do Congresso por Deodoro da Fonseca, a reação do Presidente levou-o à renúncia. Braz Carneiro tornou-se opositor de Floriano e não tentou sua reeleição. Retirou-se da vida pública, voltando a exercer sua profissão de Engenheiro. No Senado, foi Membro das Comissões de Finanças, Obras Públicas e Empresas Privilegiadas.

        Em 1892, vendeu sua moderna fazenda de Santa Luiza ao Comendador Domingos Theodoro d’Azevedo Júnior, retirando-se para sempre de Rio das Flores.

        Dr. Braz faleceu no Rio de Janeiro no dia 20 de abril de 1922.

        Para homenageá-lo, na sessão da Câmara Municipal do dia 27 de março de 1890, foi aprovada a proposta do cidadão Antonio Gaspar de Mattos Sobrinho, para que a rua da Estação fosse denominada “Rua Dr Braz Carneiro”, hoje substituído por Avenida João Lacerda Paiva.

Conde de Baependy

Braz Carneiro Nogueira da Costa e Gama

Fundador de Rio das Flores

Braz Carneiro Nogueira da Costa e Gama, Conde de Baependy com grandeza, a 2/12/1858, nasceu no Rio de Janeiro no dia 22 de maio de 1812, filho mais velho dos Marqueses de Baependy. Casou-se com sua prima Rosa Mônica Valle Nogueira da Gama em 1834, quando fundou a Fazenda Santa Rosa, pronta em 1842.

 De família politicamente poderosa, teve vida parlamentar ativa, tendo sido Deputado em mais de seis legislaturas. Deputado Provincial, Presidente de Província (04/1840 a 08/1840 e 01/1841 a 04/1841). Vice Presidente da Província (1841/1843). Deputado Geral (1843/1844; 1850/1852; 1853/1856; 1857/1860 e 1861/1863). Presidente de Província (23/08/1868 a 04/11/1869). Deputado Geral (11/05/1872). Senador (25/05/1872 a 12/05/1887). Foi Vice-Presidente (1877/1878 e 1882/1884) e Presidente do Senado (1885/1887). Exerceu também o cargo de presidência das províncias de Goiás (1854/55) e Pernambuco (1868/69).

 Em 1848, quando ainda Visconde, apresentou um projeto à Assembléia da Província, a fim de criar um curato no território da Freguesia de Nossa Senhora da Glória de Valença, na parte que limita com o Município de Paraíba do Sul. Em 1849, insiste o Visconde junto à Câmara de Valença, apresentando novo projeto. Entretanto, só em 1851, consegue seu intento, quando o decreto Provincial de 6 de outubro cria o curato sob a invocação de Santa Thereza de Valença. Sendo assim, foi portanto Baependy o fundador do que é hoje o município de Rio das Flores.

Em 1855, quando Presidente interino da Província do Rio de Janeiro, assina o decreto Provincial nº 814, que elevar o curato de Santa Thereza de Valença à categoria de Freguesia.

Manifestou-se sempre conservador, participando, inclusive, da Dissidência Conservadora durante o gabinete chefiado pelo Visconde de Rio Branco. Votou contra a Lei do “Ventre Livre” (1871), defendida pelo gabinete conservador do Visconde do Rio Branco. Votou a favor da Lei dos “Sexagenários” (1885). Era membro do Conservatório Dramático do Rio de Janeiro (1843), tendo sido eleito para seu Conselho (1847).

Como fazendeiro em Santa Thereza, destacou-se pela iniciativa de substituição do trabalho escravo empregando em sua Fazenda de Santa Rosa, em 1852, por 128 colonos alemães.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 12 de maio de 1887.

Visconde de Nogueira da Gama

Nicolau Antonio Valle da Gama

 Pertencente a uma das mais tradicionais famílias de São João Del Rei, os Nogueira da Gama, Nicolau Antonio Valle da Gama nasceu em 1809, na histórica Fazenda de São Matheus, em Matias Barbosa, Minas Gerais. Era filho do Capitão José Ignácio Nogueira da Gama e de Francisca Maria do Valle Amado, que, depois de viúva, veia a se tornar Baronesa de São Matheus.

Nogueira da Gama não foi um típico fazendeiro de café, tendo passado grande parte de sua vida na Corte, como alto funcionário do Governo Imperial. Mesmo assim, mantinha a grandiosa Fazenda Independência, na Freguesia de Santa Thereza de Valença, atual Rio das Flores, herdada de seu pai. Nesta, quando ainda queria se tornar um “típico” fazendeiro de café, tentou com grande entusiasmo, o que deve ser louvado, substituir o trabalho escravo pela mão-de-obra remunerada imigrante, empregando 173 colonos de origem alemã, poucos anos depois da proibição do trafico. Acredita-se que devido ao insucesso dessa iniciativa, Nicolau tenha se decepcionado com a vida de fazendeiro, afastando-se definitivamente da fazenda.

Em 1868, foi convidado a ocupar o cargo de Mordomo da Casa Imperial, o mais alto grau da hierarquia do Paço. Aceitou com a condição de que não fosse remunerado. Só utilizaria a carruagem e a residência oficial, a mansão Joana, enriquecida às suas custas, em 1879.

Em 1872, foi agraciado com o titulo de Barão de Nogueira da Gama, por D. Pedro II, com quem passara a fazer constantes viagens à Europa. A amizade nascera muitos anos antes, durante visita do Imperador ao Solar da Independência, em 1847.

Nogueira da Gama era um nobre diferente, de cultura exemplar. Desde cedo se mostrou sensível ao conhecimento da história e da modernidade, nitidamente registrada em suas cartas.

Foi considerado pelo Cônego Raimundo Trindade o primeiro genealogista mineiro da História, por ter estudado a origem de tradicionais troncos mineiros.

Poucos anos antes da abolição da escravatura libertou todos os seus escravos, o que lhe valeu o titulo de visconde, concedido pela princesa Isabel.

Após a proclamação da república, foi residir em Petrópolis, onde, já idoso, teve a idéia de publicar o livro “Minhas Memórias”, sobre o retorno à juventude, as lembranças em família no Solar da Fazenda São Matheus e a vida de fazendeiro na Independência, nos campos de Santa Thereza de Valença.

Faleceu na casa do filho Pedro, em Nazaré das Farinhas (BA), no dia 18 de outubro de 1897, onde foi sepultado.

﷯Visconde do Rio Preto Domingos Custódio Guimarães Domingos Custódio Guimarães nasceu no ano de 1802, em Carrancas, Minas Gerais. Com notável aptidão comercial, ainda jovem associou-se a um dos homens mais ricos de seu tempo, João Francisco de Mesquita, Barão, Visconde, Conde e, afinal, Marquês de Bonfim. Tratavam os dois sócios de abastecer o Rio de Janeiro de carne verde, fazendo descer de Minas Gerais grandes rebanhos. Após a dissolução da firma Mesquita & Guimarães, Domingos resolveu investir grande parte de seu capital nos negócios da lavoura cafeeira, então principal produto de exportação do recém criado Império Brasileiro. Primeiro Barão, a 6/12/1854, e Visconde, com grandeza, a 14/3/1867, de Rio Preto, não foi apenas mais um fazendeiro de café, foi um dos maiores progressistas de seu tempo. Chegou à região, que hoje compreende o atual distrito de Manuel Duarte, por volta de 1836, quando adquiriu de João Pedro Maynard da Fonseca e Sá a fazenda Barra das Flores (hoje Loanda) nas margens do Rio Preto e, em 1843, a Fazenda Flores do Paraízo nas margens do ribeirão Manoel Pereira, vizinha da anterior. A partir dessas duas propriedades, ergueu um grande império rural formado por diversas outras fazendas anexas, ou não, elaboradas por centenas de escravos. Da sua Flores do Paraíso, transformou-a na “fazenda Modelo” ou a “Jóia de Valença” como ficou conhecida no século XIX, devido a uma série de iniciativas inovadoras implantadas nessa propriedade. Rio Preto foi pioneiro na região ao implantar, na sua fazenda Flores Paraízo, um moderno maquinismo de beneficiamento de café por força motriz importado do Estados Unidos, as máquinas Lidgewood. Quando o Império ainda desconhecia a iluminação a gás, instalou o sistema nas dependências do seu solar. Abriu e financiou a construção de estradas, como a do ramal da União e Industria (a primeira rodovia pavimentada do Brasil) e a Valença -Taboas. No campo das artes também deixou sua marca ao mandar ensinar música para alguns dos seus escravos e constituir uma banda com oitenta componentes, que se apresentava em festividades da fazenda e de Valença, com rico repertório. Não esqueceu da filantropia e prestigiava o progresso da região através de obras de benemerência como a ajuda financeira à importante Santa Casa da Misericórdia de Valença, além de obras de calçamento e abastecimento de água na mesma cidade. Em Santa Thereza, hoje Rio das Flores, foi o primeiro provedor da Irmandade do Santíssimo Sacramento que auxiliava na manutenção da matriz que ajudou a construir. Construiu às suas custas o primeiro cemitério público da Freguesia, onde inclusive possuía as melhores casas do povoado, uma ao lado da Matriz e outra, na rua São Domingos (ambas demolidas). O visconde morreu em meio a glórias, aos bem vividos 67 anos de idade, faleceu em plena festa que organizou em sua Fazenda Flores do Paraízo para comemorar seu aniversário natalício e seu maior feito, a inauguração do ramal União e Industria. Tamanha foi a repercussão que até um mês após a morte do visconde, os jornais das principais cidades do Vale e da Corte ainda noticiavam o ocorrido naquela fatídica tarde do dia 7 de setembro de 1868. Texto e Pesquisa: Adriano Novaes Fontes: TJADER Rogério da Silva. Visconde do Rio Preto: O Esplendor de Valença. Gráfica PC Duboc LTDA., Valença, 204. Anuário Genealógico Brasileiro, Ano III, 1941. FERREIRA Luis Damasceno. História de Valença 1803-1924, Graphica Editora, Paulo Pongetti, Rio de Janeiro, 1925. IÓRIO, Leoni. Valença de Ontem e de Hoje. 1ª edição, Cia Dias Cardoso S. A., Juiz de Fora, 1953. Pgs. 178 até 183. MUNIZ, Célia Maria Loureiro. Os Donos da Terra: Um estudo sobre a estrutura fundiária do Vale do Paraíba Fluminense no século XIX. Dissertação de Mestrado. UFF. Niterói -1979. Pág 80.
Rio das Flores - RJ GPS 22°10'06.5"S 43°35'01.5"W

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